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Texto exclusivo redigido por: Rodrigo Rodrigues

 

O nome “Família Trapo” foi retirado da família Von Trapp, do filme "A Noviça Rebelde" (The Sound of Music). Tal título não foi aprovado de início, mas acabou sendo usado porque o programa já estava pronto e não havia outro nome. Foi o primeiro sitcom da televisão brasileira.
Era uma família de classe média com um mordomo. Contradição? Talvez. É que Gordon, o mordomo interpretado por Jô Soares, quebrava tudo na casa, por isso que trabalhava em troca de comida e um salário muito pequeno, já que não conseguia arrumar emprego por comer muito.

 

 

Foi o auge na carreira de Golias na televisão. Embora já tivesse feito um estrondoso sucesso na Praça da Alegria pela Rádio Nacional, TV Paulista e TV Record, a Record resolveu montar um seriado muito inteligente e pediu ao Carlos Alberto se ele podia escrever junto com Jô Soares. Aceitou na hora e então começaram a escrever juntos seus textos. Abaixo, uma foto do Jô com Carlos Alberto:

 

 

Os personagens foram escolhidos com cuidado. Por sugestão de Manuel Carlos, Renata Fronzi tornou-se Helena Trapo; Nilton Travesso escolheu Otello Zeloni para o papel de Peppino Trapo e Ricardo Corte Real foi indicado por Tuta (Antonio Augusto Amaral de Carvalho) para o lugar de Sócrates. Cidinha Campos (Verinha) e Ronald Golias (Bronco), de qualquer forma participariam do programa, que em princípio foi sugerido especialmente para os dois. Como muita gente já sabe, Golias sempre gostava mais quando seu amigo Carlos Alberto escrevia, por causa da amizade, do costume e pelo início de carreira dos dois jovens juntos.

Bronco, o cunhado de Peppino, era um malandro que adorava explorá-lo. A televisão conheceu mais do que nunca a arte do improviso do genial Golias. Neste período áureo da televisão brasileira, o programa era ao vivo no teatro, porém gravado e não ao vivo na transmissão. Tinha 2 horas de duração e um script entre 40 a 50 páginas por programa. Jô Soares e Carlos Alberto escreviam isoladamente as partes que escolhiam. O resultado? Era simplesmente um incrível equilíbrio e sempre uma incógnita para se saber quem escreveu o quê.

Uma grande dificuldade do diretor, Nilton Travesso, era lhe dar com uma velha e clássica mania de Ronald Golias: O comediante nunca conseguia trabalhar com ninguém do seu lado esquerdo. O diretor, fez o cenário com dois andares: Em baixo era a sala, cozinha e alguns cômodos e em cima os quartos.

Bronco implicava com o chiclete de Sócrates no programa e também nos ensaios. Cada vez que estourava a bola no ensaio, Golias resmungava: “No ensaio não, filho.” O script era divertíssimo.

Houve uma cena que quase ninguém sabe ou se lembra, onde Zeloni acidentalmente, numa das brigas da Família Trapo, rasgou as calças de alto a baixo e foi um corre-corre para arranjarem outra.

Nos ensaios, Renata Fronzi era a mais pontual e a que mais decorava textos. Golias era o mais compenetrado, Sócrates o mais folgado, Cidinha a mais tranqüila e Zeloni o que mais improvisava e botava “cacos” no texto. O diretor Nilton Travesso sugeria a Zeloni algumas piadas como, por exemplo, o “aleluia” que o Bronco cantava. Nilton sempre soprava as falas quando dava branco em algum comediante. Os ensaios começavam às 3 da tarde e terminavam quase na hora do programa ir ao ar. Só havia tempo para um sanduíche por bar ao lado do teatro.

 

 

Infelizmente, por causa dos dois incêndios na Record, o único episódio que restou foi “A Visita de Pelé”. Este episódio, desenvolve-se em dois atos: No primeiro ato, a família de Golias quer fazer uma brincadeira para que ele pense que morreu. Já no segundo ato, trata-se do Futebol, pois o mordomo Gordon (Jô Soares) e Sócrates (Ricardo Corte Real), querem tirar Golias do time de futebol, alegando-lhe que há um novo jogador muito bom na equipe. Tratava-se exatamente do Rei Pelé.

Todos do elenco eram muito amigos e freqüentavam a casa uns dos outros. Zeloni os convidava para almoçar, preparando-lhes pratos italianos. Ele cozinhava muito bem, por sinal. O programa foi feito com tanto amor, que jamais a TV conseguirá se aproximar de tal apogeu televisivo. Antigamente, fazia-se televisão com mais amor e menos cobiça financeira. A Família Trapo começou em 1967 e terminou em 1971. Jô Soares saíra do elenco em 1968 para trabalhar na Globo.

 

 

Quando a Família Trapo acabou, em 1971, Golias passou a fazer ainda pela Record o programa “Bronco Total”, onde Carlos Alberto de Nóbrega e ele eram os protagonistas. O programa acabou em 1974.