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Texto exclusivo redigido por: Rodrigo Rodrigues

 

Ronald Golias, mais conhecido como Zinho pelos familiares e vizinhos de São Carlos, nasceu em 4 de Maio de 1929. Era uma criança muito arteira na escola e desde muito cedo já tinha suas excentricidades, como por exemplo, toda vez que ia até a fruteira para pegar bananas, cortava a mesma ao meio, comia-a e depois deixava a outra metade na fruteira. Segundo seu amigo de infância Irineu Gualtieri, Golias fizera isso centenas de vezes.

Filho de Arlindo e Conceição, uma família muito pobre, onde que para sobreviver contava com trabalhos pouco remunerados do pai na área de marcenaria e ajuda de amigos e parentes, Golias passa a trabalhar como catador de esterco. Cada lata de esterco que vendia, rendia-lhe 400 réis (moeda da época). Segundo minha conversão, hoje 400 réis dariam R$1,45.

Golias começou sua carreira na escola, aos 8 anos, em 1937. Atuara como um divertido diabo saltador. Não era mau, era um diabinho. Cansados da vida que estavam levando em São Carlos, em 1938, aos 9 anos, Golias e sua família resolvem tentar uma vida melhor na cidade de São Paulo. Seu Arlindo, então, passa a trabalhar na serralheria do Paulo Maluf e Golias tenta de tudo para ajudar a família: menino de recados, funileiro, ajudante de alfaiate, entregador de editoras de livros, bancário, fabricante de presépios, agente de seguros e empacotador de camisas.

Seu pai, com muito esforço, consegue com quê Golias passe a freqüentar um clube de natação no Clube de Regatas Tietê. Ronald Golias começou a ser Aqualouco em 1947. Ele se apresentava nos estados de São Paulo e Paraná e era único saltador que fazia graça além de pular. Vinha com maiôs engraçados listrados da época e fazia caretas, contava piadas e todo mundo dava risada. Era o único da equipe de Aqualoucos que sabia fazer graça, e o melhor, no momento preciso para arrancar gargalhadas do público. E ele era o Aqualouco mais assediado, ao fim das exibições, pelos caçadores de autógrafos.

Com muita insistência de seus colegas de trabalho, Golias é convencido a tentar um emprego em rádio e largou em 1952 o Clube de Regatas Tietê. Já em 1954, Golias entra na Rádio Cultura para ser calouro de cantor e um “faz-tudo”. Obviamente a profissão de cantor nunca foi seu forte e não deu certo, mas em contrapartida foi lá mesmo que estreou o personagem Pacífico.
Pouca gente sabe, mas Golias foi um grande ator dramático também: No dia das mães dos anos 50, o comediante atuou em um papel sério e algumas pessoas na platéia choraram muito. Golias também ficou com vontade de chorar, segundo o relato do próprio.

No final de Abril de 1954, após sair da Rádio Cultura, Victor Costa Lima pede que Manoel de Nóbrega apresente Ronald Golias e Manoel o faz. Golias leva uma lista de locutores, artistas famosos da época e começa a fazer imitações ao Victor Costa, Manoel de Nóbrega e Carlos Alberto e todos riem muito. Manoel decide, então, conversar com o Dermival Costa Lima (Diretor da Rádio Nacional de São Paulo) para convencê-lo a contratar Golias. O comediante faz um teste de imitações ao Dermival Costa Lima e não consegue convencê-lo muito. Dermival disse ao Manoel: “Manoel, ele só sabe fazer imitação... Isso cansa. E é bobagem contratar uma pessoa que só sabe fazer imitação”. Como Manoel tinha muito prestígio, conseguiu convencer o Dermival a contratar Golias. Em 4 de Maio de 1954 Golias e Carlos Alberto de Nóbrega estréiam no “Programa Manoel de Nóbrega” pela Rádio Nacional de São Paulo. O reconhecimento foi imediato: Fica famoso repentinamente com seus impagáveis bordões, improvisos, tanto que no mesmo ano de 1954, ele recebe o prêmio Tupiniquim pela equipe artística do jornal “O Estado de São Paulo”. Em 1955, ganha o prêmio Roquete Pinto como o melhor comediante do país.

A estréia de Golias e Carlos Alberto na televisão foi no programa da Ângela Maria na TV Paulista em 1956. Ainda na TV Paulista, em 1957, estréia a Praça da Alegria. Em 1958 A Praça passa a ser exibida simultaneamente na TV Rio (Rio de Janeiro
Em 1958 Golias decide se casar com Lúcia Machado. Em 1959 a “Gazeta de São Paulo” lhe oferece uma medalha de ouro.

1959 foi o ano decisivo na carreira de Ronald Golias. Acreditem se quiser, mas o comediante fazia 10 programas simultaneamente no rádio e televisão. Em São Paulo, eram 4 programas de TV e 3 de rádio. No Rio de Janeiro eram 4 programas de TV.

Em 1960, a Herbert Richers se interessa em começar a ingressar Golias no cinema como protagonista. Até então Golias só havia feito um filme inacabado de Luis Sergio Person de 1957, titulado “Marido Barra Limpa”, o que foi terminado somente em 1967. E havia feito também um pequena participação especial musical no filme “Vou te Contá” de 1958. A Herbert Richers aposta num filme de 1960 titulado “Tudo Legal”, onde os protagonistas eram Jô Soares e Golias.

Depois disso, Golias foi atuando em mais filmes, mas nunca foi mesmo sucesso de Grande Otelo, Oscarito, Mazzaropi e outros. Por quê? Eu já pensei muito sobre isso e até agora minhas conjecturas não foram convincentes, entretanto tenho um palpite: Acredito que Golias com seu extraordinário improviso sempre prevaleceram. E isso, obviamente, jamais é possível de ser levado ao cinema.

Em 1963 Manoel, Carlos e Golias são contratados pela Record e dão continuidade ao humorístico “Praça da Alegria”. Golias depois faz o programa que foi seu auge, a “Família Trapo”. O programa acaba em 1971, mas continua na Record e faz o seriado “Bronco Total”. Dura até 1974. Golias sai da Record e começa a trabalhar com Silvio Santos.

Em 1977 a Globo resolve recriar a “Praça da Alegria” e ao invés de colocar Carlos Alberto de Nóbrega no banco, coloca o Carlos Mieli. O programa dura apenas 1 ano e em 1979 a Globo aposta numa adaptação de seriado norte-americano titulado “Super-Bronco”. Foi o declínio da carreira do Golias no Rio de Janeiro e o mesmo foi demitido da Globo.

Golias fica afastado da televisão por vontade própria e resolve dar mais atenção a sua agropecuária. Somente em 1986 Golias resolve aceitar um convite da Band para fazer um programa parecido com a Família Trapo, cujo nome seria “Bronco”. O programa foi bom ao Golias, mas depois começou a desgastar e já não iam renovar seu contrato. Finalmente em 1990, Golias volta a trabalhar com seu amigo Carlos Alberto de Nóbrega, que estava trabalhando no SBT já há 3 anos (desde 1987). Fica, então, no SBT, até sua morte em 2005.